Título original: Everyman
Philip Milton Roth é um escritor americano, nascido em 19 de março
de 1933 (79 anos). Conhecido por seus romances, e considerado um dos maiores
escritores norte-americanos da segunda metade do século XX. Escreveu várias
obras e recebeu muitos prêmios.
O livro Homem Comum foi publicado em abril de
2006 pela editora Houghton Mifflin. E no Brasil, foi publicado pela Companhia
das Letras, com tradução de Paulo Henrique Britto, no ano de 2007.
A
história começa durante o funeral do personagem principal, que nada mais é do
que um homem comum, um ex-publicitário, que dedicou os dias finais de sua vida
a pintura, que era o que queria ter feito desde sempre, não fosse a sociedade
preconceituosa a atrapalhar e lhe impor outros rumos, mas estes ainda assim o
trouxeram boas coisas. Porém, a dúvida não deixa de existir: e se minha escolha
tivesse sido outra?
No
velório estão presentes as pessoas mais importantes da vida dele, que soltam
palavras que demonstram a dor da perda pela qual passam e lembram um pouco do
que foi aquele homem para eles. E chegam a conclusão que todos sempre chegamos
quando o assunto é morte: ele devia ter tido mais tempo. E através dos
desabafos dos que o perderam, o autor nos remete ao que antecedeu aquela morte.
A vida que antecedeu aquela morte.
A
narrativa desta história que já começa com um fim, passa por toda a vida do
personagem principal, relatando pequenas descobertas durante a infância,
pequenas descobertas da vida, e que vão traçar, no futuro, a vida adulta deste.
O autor
faz um link entre o presente, o passado e o futuro do personagem de uma forma
clara que não nos confunde, deixando a história fácil de ser assimilada e
acompanhada sem dificuldade.
A meu
ver, a leitura torna-se mais interessante na segunda metade, pois foi o momento
em que realmente quis chegar ao fim da história, mesmo sabendo seu fim
previsível, queria acompanhar a vida desse homem, saber pelo quê mais ele passou
antes de chegar ao fim. Uma vida comum, que não deixa de ser interessante.
É
perceptível o valor dado e representado pela família. Desde cedo, quando ainda
menino, o personagem demonstra grande orgulho de seu pai e do que ele faz, e a
vontade de que esse sentimento seja recíproco, quando realiza as tarefas
delegadas pelo pai em sua joalheria, ele faz tudo com o maior zelo, mostrando que
o pai pode sim confiar nele.
Posteriormente,
quando passa pela perda dos pais, a lembrança e o amor que ele guarda, e a
força que ainda consegue obter das memórias, reafirma o quão boa foi sua
ligação com ambos. Algo que ele gostaria muito de ter vivido com os seus dois
filhos de seu conturbado primeiro casamento. Durante a vida, mais de uma vez,
ele se viu questionando sua postura em relação a eles. O que poderia ter feito
de melhor, o que poderia ter mudado a relação deles, que compareceram sim ao
seu funeral, mas somente por mera obrigação.
Quando
pequeno, ao passar por uma cirurgia de hérnia, se vê de frente com o fim da
vida. Presencia a morte de outro garoto, que estava no mesmo quarto que ele. A
morte o impressiona, causando medo, o assusta e o marca, pois essa é uma
lembrança que sempre voltará em sua mente.
Depois
de adulto, quando é acometido por algumas debilitações físicas, e se vê dentro
de quartos de hospitais, ele teme não sair vivo. Uma sensação já conhecida que
volta a sua mente. A cada cirurgia, cada tratamento, ele volta a sentir o mesmo
medo que já sentira da morte, e enquanto envelhece, ele é atingido também pelo
medo da solidão. Solidão que é resultado de algumas escolhas, que ele mesmo
passa a refletir se foram positivas ou negativas.
A
abordagem principal do livro é o envelhecimento e o fim – inexorável - da vida,
a morte.
Há um
momento em que tudo que ele quer é poder parar de envelhecer e não ter que
enfrentar a sua própria morte. Neste momento ele, além de ver seus pais e
heróis morrerem, também vê alguns amigos, amigos da mesma idade que ele, que
conviveram muitos anos com ele, que passaram muito do que ele já passou, e que
levaram um pouco dele com suas mortes. O que o faz constatar que logo quem
morrerá será ele.
Uma
contradição pela qual ele passa já no fim de sua vida é a respeito de seu irmão
mais velho. Apesar de ter mais idade, Howie é incrivelmente saudável, nunca
tivera nenhuma doença relevante, fez escolhas melhores em sua vida, e é muito
realizado e feliz com sua família. Isso acarreta ao personagem certa inveja.
Por que ele não pode dividir um pouco de seu sofrimento com o irmão? Qual a
razão dele ter mais sorte e melhor saúde? Por que não eu a ter a melhor saúde
já que sou mais novo? Porque não ele a morrer primeiro? Esses sentimentos são
contrapostos com o amor que sente, e o companheirismo demonstrado pelo irmão.
Acredito
que o fato do protagonista sequer ter um nome está ligado com a ideia de ser
uma história de vida comum, que toda a trama revela. É um João, um Antônio, um
Ricardo, e até mesmo uma Maria, tanto faz, é um “homem”, um ser humano. Uma
mulher ou um cara tão comum quanto qualquer um de nós, que tem uma vida com um
começo e um fim. Independente de gênero, uma vida que está destinada ao fim. E
isso do fim é tão claro que a história já começa com o fim, não há nenhum
suspense no que vai acontecer, ele vai morrer, sem dúvida alguma, do mesmo
jeito que todos nós morreremos um dia e não há como escapar disso, não tem
remédio, não tem saída.
É uma
triste verdade, um triste fim, apenas por significar um fim.
Durante
a leitura imagino que todos desejem que ele volte a ser verdadeiramente feliz
antes que chegue ao triste fim, a morte. Torcemos por ele, pra que aconteça
algo que valha a pena, algo que o faça não morrer solitariamente. Acho que esse
também é um desejo vivo dentro do personagem. Ele quer uma saída, mas acaba se
convencendo de que não existe.
Nós -
aliás, alguns de nós - como seres humanos, temos uma esperança que não sabemos
de onde vem, acreditamos no depois. Acreditamos, sobretudo, que podemos fazer
tudo valer a pena antes de chegar ao final. O que a leitura nos proporciona é a
visão de uma realidade cruel, que nos fala sem pestanejar que a vida é curta e
que precisamos aproveitá-la ao máximo, antes que seja tarde demais.
Ótima resenha! Ainda não tive a feliz oportunidade de ler Philip Roth, porém é um objetivo a ser concretizado em minha vida de leitor, certo que é. Rita, a propósito, por acaso você tem alguma obsessão? O http://jefhcardoso.blogspot.com anseia por um comentário de sua parte. Abraço!
ResponderExcluirObrigada!
ExcluirFoi minha primeira leitura dele!
:*