segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Preciso de Você


Em todo e qualquer amor, existirão vírgulas. O ponto final pode acabar de vez com uma história que poderia ser linda.

- Eu sou um idiota! – bufou Christopher pela décima vez naquela noite, cobrindo o rosto com o travesseiro. Estava decepcionado consigo mesmo. Virou de um lado pro outro na cama e nada de conseguir pegar no sono. Desde a noite passada não conseguia pensar em mais nada. Só pensava nela e em como fora idiota.

" - Christopher, ele é meu amigo! – a garota explicou ainda com calma, tentando deixá-lo da mesma forma.
- Amigo? – questionou irônico. – Dulce, só você não vê!
- Não vejo, porque não há nada para ver. – suspirou cansada, e recostou no sofá. 
- Claro que há, Dulce, claro que há! – ele elevara a voz e começara a andar para um lado e outro, após ter se levantado. 
Como ela não percebia? Só podia estar brincando, só podia. 
- Amor... – ela o seguiu, levantando também. Mas começara a preocupar-se. – Entenda... Alfonso é apenas meu amigo. 
- Não é apenas isso que ele quer ser, Dulce! – irritou-se. – “Meu amor” pra cá, “Meu anjo” pra lá... e agora essas mensagens todas melosas! – ele tinha o celular da garota em uma das mãos e relia uma das mensagens que ha pouco vira, esse havia sido o motivo da crise de ciúmes. 
- Christopher... – começou firme. – Eu nunca... Nunca dei um motivo pra você não confiar em mim. – ela se aproximou mais dele e tocou seu rosto. – Eu te amo! – ela disse docemente e sorriu para ele. 
- Não sei... – ele mantinha a mirada na direção do chão. - Fala isso pra ele! – disse com extrema irritação na voz, Christopher nem conseguia controlar seus pensamentos naquele momento. 
Como assim? Ela pensou, era só o que faltava, ele não acreditava em seu amor? Era isso? 
- Ok Christopher! – a garota se viu tomada pela raiva também. – Você não confia em mim! E também não acredita em mim! Isso é prova de que você não me ama! – dizendo aquelas palavras, ela virou-se para pegar uma pequena bolsa que estava no sofá. Lembrou-se de pegar também seu celular e com os olhos já mareados, passou pela porta da sala há passos largos.

Christopher sentiu seu coração apertar ao ver Dulce sair daquela forma, mas mesmo assim não conseguiu ir atrás dela. Ele a amava, isso era verdade, mas se tinha alguma coisa que o cegava, essa era o ciúme. Subiu para seu quarto e jogou-se em sua cama. Se Alfonso aparecesse na frente de Christopher naquele momento, ele ficaria no mínimo com o olho roxo."

No dia seguinte chegou atrasado no trabalho, o que não era de se esperar dele. Ficou aéreo durante toda a manhã, e após almoçar também. Era claro que algo havia de errado nele, mas o deixaram quieto.

Por um momento Christopher achou que não tinha como resolver aquilo. Tentou dormir... Tentou uma vez e outra, mas realmente não conseguia. Se levantou da cama e acendeu a luz, para logo encarar o relógio que se encontrava em uma cômoda ao lado da cama: já passava das duas da madrugada.

- O que será que ela está fazendo? – Christopher se perguntou e soltou um longo suspiro. Como ele podia amar tanto aquela garota e fazer o que fez? Ele sabia que ela o amava, porque havia a questionado então? – Droga! – nem ele conseguia entender.

Mas tinha que fazer alguma coisa, não tinha? Sim, tinha. Ele concluiu em pensamento. Se dirigiu ao banheiro, jogou um pouco de água no rosto e depois de pegar um casaco, desceu rapidamente as escadas de sua casa. 

Saiu andando de pressa pelas ruas... Seu destino? Estava a caminho da casa da mulher de sua vida, não iria perdê-la assim, não tão fácil. Talvez ela não o perdoasse, mas ele tentaria. Era isso que importava. 

Quando a casa de Dulce se aproximava Christopher parou e olhou em volta, havia muitas flores nos jardins das casas vizinhas, sem nem pensar ele colheu uma rosa branca, eram as preferidas dela. Ele sorriu ao lembrar do sorriso da garota. Andou mais um pouco e parou em frente a casa dela. 

Pensou em desistir... E se ela não aceitasse suas desculpas? Ele não suportaria isso.
Mas ele tinha que ir em frente, não podia ser covarde. Afinal, só ela o fazia feliz. 

Tocou a campainha e se afastou da porta, escondendo a rosa atrás de si e olhando para cima. Viu uma luz se acender no quarto de Dulce e sentiu seu coração bater ainda mais forte, se é que era possível. Ele continuou olhando fixamente para a janela, na esperança de que ela aparecesse ali. E foi o que aconteceu... Ela abriu a janela. 

- O que você está fazendo aqui? – disse fria, fazendo Christopher engolir seco. – Vá embora, não vê que é tarde?
- Dulce... – pensou em algo para dizer, mas não saiu nada. – Quero conversar com você. – arriscou.
- Mas eu quero dormir, Christopher. 
- Por favor, Dulce! – a olhou implorando e ela apenas suspirou, vencida. Ele não evitou sorrir ao perceber que ela desceria. 

Dulce girou a maçaneta da porta com certo receio, não sabia o que Christopher queria com ela, mas ela o amava demais para não sentir as pernas bambearem sempre que ele estava perto. Abriu a porta enfim, e o encarou. Ele não disse nada, apenas observava com carinho aquele rosto que ele tanto adorava olhar, admirar... Dulce olhou pro chão intimidada com aquele silêncio.

- Estou aqui, Christopher... O que você quer? – ela decidiu dizer algo, ou ficariam ali. Ele piscou os olhos e abriu a boca para falar.
- Dulce, eu... - sua voz falhou. – Eu...
- Você, o quê? – foi a vez dele não conseguir encará-la. 
- Me desculpa, por favor... – disse sem olhar pra ela. E continuou – Eu não consegui parar de pensar em você um segundo sequer, você não sabe como dói saber que a pessoa que você mais ama está magoada com você. 
- Talvez eu não saiba mesmo, mas sei como dói saber que quem você ama não confia em você. – Christopher levou seu olhar à Dulce, e deixou uma lágrima cair. 
- Eu sou um idiota eu sei, mas eu te amo, Dulce. – a vontade de Dulce era se jogar nos braços daquele idiota o mais depressa possível. – Me perdoa, eu não consigo e não quero viver se não for ao seu lado. Sem você, eu fico incompleto... – e não, ela não conseguiu segurar as lágrimas que começaram a descer. Ele tocou-a o rosto, tentando secá-lo e lhe entregou a rosa que mantinha na outra mão. – Pra você... Toda vez que vejo uma, lembro do seu sorriso. – era incrível como ele conseguia fazer seu coração acelerar apenas com algumas palavras. Ninguém a fazia tão bem quanto ele.
- Me abraça? – um sorriso meigo se formou na face molhada da garota. Christopher apenas obedeceu, e aconchegou a ruiva em seus braços. Ali, com ele, ela se sentia protegida de tudo e todos. Naquele abraço os dois se viam livres de toda a dor de não ter um ao outro, pois aquele singelo gesto os fez crer, crer no amor que sentiam um pelo outro. Crer que aquilo não diminuiria por nada, que aquilo jamais cessaria.

FIM :)

Escrita em 2008.

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